sexta-feira, 24 de junho de 2011

As três perguntas

As três perguntas - Um conto de Leon Tolstói

Um conto de Tolstoi

(contado pelo Mestre Zen Thich Nhat Hanh)

– Certa vez, ocorreu a um imperador que, se soubesse responder apenas às seguintes perguntas, nada jamais o afastaria do caminho justo:

Qual é o melhor momento para qualquer coisa?

Quais são as pessoas mais importantes em qualquer trabalho?

Qual é a coisa mais importante a fazer em qualquer momento?

O imperador promulgou um decreto para todo o seu império, anunciando que quem soubesse responder às três perguntas receberia uma grande recompensa. Depois de ler este decreto, muitos se dirigiram ao palácio com as suas diferentes respostas.
Respondendo à primeira pergunta, alguém sugeriu ao imperador que estabelecesse uma ocupação total do tempo, com as horas, dias, meses, anos e as tarefas a realizar. Se seguisse isso à letra, o imperador poderia então vir a fazer cada coisa em seu devido tempo. Uma outra pessoa retorquiu que era impossível prever tudo, que o imperador devia pôr todas as distrações inúteis à parte e manter-se atento a todas as coisas, para saber quando e como agir. Uma outra insistiu que o imperador sozinho não podia possuir a clarividência e a competência necessárias para decidir quando fazer algo. Parecia-lhe que o mais importante era nomear um Conselho de Sábios e agir de acordo com as suas recomendações. Uma outra pessoa disse que certas questões necessitavam de uma decisão imediata e não podiam esperar por uma consulta. Contudo, se o soberano desejasse conhecer com antecedência o que ia acontecer, ser-lhe-ia possível interrogar os adivinhos e os magos.

As respostas à segunda pergunta também divergiram muito entre si. Alguém disse que o imperador devia colocar toda a sua confiança nos seus ministros; um outro recomendou que fosse aos padres e aos monges; outros, ainda, aos médicos e mesmo aos militares.

À terceira pergunta foram dadas respostas igualmente variadas. Alguns afirmaram que a procura mais importante era a ciência, outros insistiram que era a religião e outros, ainda, a arte da guerra. O imperador não ficou satisfeito com nenhuma das repostas e não atribuiu a ninguém a recompensa.

Depois de várias noites de reflexão, o soberano decidiu visitar um eremita que vivia na montanha e que era tido por ser iluminado. O imperador desejava encontrar o santo homem para lhe fazer as três perguntas, mas sabia muito bem que o eremita nunca deixava as montanhas e que era conhecido por não receber senão pessoas pobres e por recusar qualquer contato com ricos e poderosos. Por esta razão, o soberano disfarçou-se como um pobre camponês e ordenou à sua escolta que esperasse por ele aos pés da montanha, enquanto sozinho procurava o eremita.

Ao chegar à morada do homem santo, o imperador avistou-o a cavar o jardim diante da sua cabana. Ao ver o estrangeiro, o eremita saudou-o com a cabeça e continuou a cavar. Era um trabalho aparentemente muito penoso para um velho: ele ofegava ruidosamente a cada vez que enterrava a enxada no solo para revolver a terra. O imperador aproximou-se dele e disse: “Vim pedir a vossa ajuda. São estas as minhas perguntas”:

“Qual é o melhor momento para qualquer coisa?”

“Quais são as pessoas mais importantes em qualquer trabalho?”

“Qual é a coisa mais importante a fazer em qualquer momento?"

O eremita escutou-o atentamente e retomou o trabalho depois de dar uma pequena palmada no ombro do imperador. O monarca disse então: "Deveis estar cansado. Deixai-me ajudar-vos".

O velho homem agradeceu-lhe, entregou-lhe a enxada e sentou-se no chão para descansar. Depois de ter cavado duas fileiras, o imperador parou, voltou-se para o eremita e repetiu-lhe as suas três perguntas. De novo, o velho homem não respondeu, mas levantou-se e disse-lhe, mostrando a enxada: "Porque não descansais um pouco? Eu continuo". Mas o imperador continuou a cavar a terra. Passaram uma e outra hora. Por fim, o sol pôs-se atrás da montanha. O soberano pousou a enxada e disse ao eremita: "Escutai-me, eu vim até aqui para vos perguntar se sabeis responder às minhas três perguntas. Mas se não souberdes, dizei-mo para eu regressar à minha casa".

O eremita levantou a cabeça e perguntou ao imperador: "Ouvis alguém a correr na nossa direção?”. O imperador virou a cabeça e ambos viram surgir do bosque um homem com uma longa barba branca. Corria tropegamente, com as mãos a pressionar uma ferida no ventre, que sangrava. O homem correu em direção ao soberano até cair sem sentidos no chão. Gemia. Ao abrir a sua camisa, o imperador e o eremita viram que ele tinha uma ferida profunda. O monarca limpou-a totalmente e, a seguir, fez-lhe um curativo com a sua própria camisa. Visto que o sangue corria abundantemente, teve de enxaguar e enfaixar várias vezes a sua camisa até conseguir estancar o sangue da ferida.

Finalmente, o homem ferido retomou a consciência e pediu água. O imperador correu até ao rio e trouxe consigo uma bilha de água fresca. Ao longo de todo este tempo, o sol pusera-se e o frio da noite viera. O eremita ajudou o imperador a levar o homem para a cabana, onde o deitaram sobre a cama. Aí, ele fechou os olhos e adormeceu sossegadamente. O soberano estava esgotado pela longa jornada que fizera, por caminhar na montanha e cavar o jardim. Apoiando-se à porta, adormeceu. Por um momento, esqueceu-se de onde estava e o que ali tinha ido fazer. Quando acordou, olhou para a cama e viu o homem ferido, que também se perguntava o que fazia ali naquela cabana. Quando este viu o imperador, olhou-o atentamente nos olhos e disse num murmúrio dificilmente perceptível: "Por favor, perdoai-me".

"Mas o que fizestes para merecerdes ser perdoado?", perguntou o soberano.

"Vossa Majestade não me conhece, mas eu vos conheço. Eu fui vosso inimigo e fiz o voto de me vingar por terdes morto o meu irmão na última guerra e por terdes se apoderado de todos os meus bens. Quando soube que vínheis sozinho a esta montanha para vos encontrardes com o eremita, decidi montar-vos uma cilada e matar-vos. Esperei durante muito tempo, mas vendo que não vínheis, deixei o meu esconderijo para vos procurar. Foi assim que acabei por dar com os soldados da vossa guarda que, ao reconhecerem-me, infligiram-me esta ferida. Felizmente, consegui fugir e correr até aqui. Se não vos tivésseis encontrado, teria, com certeza, morrido na hora. Eu tinha a intenção de vos matar e vós salvastes-me a vida! Sinto uma enorme vergonha, mas também um reconhecimento infinito. Se viver, faço o voto de vos servir até ao meu derradeiro sopro e ordenarei aos meus filhos e aos meus netos que sigam o meu exemplo. Suplico-vos, Majestade, concedei-me o vosso perdão!".

O imperador encheu-se de alegria ao ver com que facilidade se havia reconciliado com um antigo inimigo. Não apenas o perdoou, mas prometeu também restituir-lhe todos os seus bens e enviar o seu próprio médico e os seus servidores para se ocuparem dele até se curar completamente. Após ter dado ordem à sua escolta de reconduzir o homem a sua casa, o imperador regressou para se encontrar com o eremita. Antes de regressar ao seu palácio, o soberano desejava, por uma última vez, fazer as três perguntas ao velho homem. Encontrou o eremita a semear os grãos nas fileiras cavadas na véspera. O velho homem levantou-se e olhou-o: "Mas já tendes a resposta a essas perguntas".

"Como assim?", disse o imperador intrigado.

"Ontem, se não tivésseis tido piedade da minha velhice e não me tivésseis ajudado a cavar a terra, teríeis sido atacado por este homem quando regressásseis. Teríeis então lamentado profundamente não terdes ficado comigo. Por conseqüência, o momento mais importante foi o tempo passado a cavar o jardim, a pessoa mais importante fui eu e a coisa mais importante foi ajudares-me. Mais tarde, depois da chegada do homem ferido, o momento mais importante foi aquele que passastes a tratar da ferida, porque se o não tivésseis feito, ele teria morrido e vós teríeis desperdiçado a ocasião de vos reconciliar com um inimigo. Do mesmo modo, ele foi a pessoa mais importante, e cuidar da ferida foi a tarefa mais importante. Lembrai-vos que não existe senão um único momento importante, que é agora. Este instante presente é o único momento sobre o qual podemos exercer o nosso magistério. A pessoa mais importante é sempre a pessoa com a qual se está, aquela que está diante de vós, porque quem sabe se vireis a estar ocupado com uma outra no futuro? A tarefa mais importante é fazer feliz a pessoa que está ao vosso lado, porque a procura da vida é apenas isso”.

(Extraído e adaptado de http://uniaobudistaporto.org/textos_conto.htm)

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Não Deu Certo e Agora?

Reforma Ortografica - Recebido por email desconheço o autor

Nos nossos sete, oito e nove anos tínhamos que fazer aqueles malditos ditados que as professoras se orgulhavam de leccionar. A partir do terceiro erro de cada texto, tínhamos que corrigir 20 e 30 vezes cada erro e que aquecer as mãos para as dar à palmatória. E levávamos reguadas com erros destes: "ação", "ator", "fato" ("facto"), "tato" ("tacto"), "fatura", " reação", etc, etc...

Mas, afinal de onde vem a origem da nossa Língua? Do Latim!! E desta, derivam muitas outras línguas da Europa. Até no Inglês, a maior parte das palavras derivam do latim.

Então, vejam alguns exemplos:

Em Latim

Em Francês

Em Espanhol

Em Inglês

Até em Alemão, reparem:

Velho Português (o que desleixámos)

O novo Português (o importado do Brasil)

Actor

Acteur

Actor

Actor

Akteur

Actor

Ator

Factor

Facteur

Factor

Factor

Faktor

Factor

bFator

Tact

Tacto

Tact

Takt

Tacto

Tato

Reactor

Réacteur

Reactor

Reactor

Reaktor

Reactor

Reator

Sector

Secteur

Sector

Sector

Sektor

Sector

Setor

Protector

Protecteur

Protector

Protector

Protektor

Protector

Protetor

Selection

Seléction

Seleccion

Selection

Selecção

Seleção

Exacte

Exacta

Exact

Exacto

Exato

Except

Excepto

Exceto

Baptismus

Baptême

Baptism

Baptismo

Batismo

Exception

Excepción

Exception

Excepção

Exceção

Optimum

Óptimo

Ótimo

Conclusão: na maior parte dos casos, as consoantes mudas das palavras destas línguas europeias mantiveram-se tal como se escrevia originalmente.

Mais um crime na Cultura Portuguesa e, desta vez, provocada pelos nossos intelectuais da Lingua de Camões.



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