terça-feira, 12 de abril de 2011

Janela da Alma, Espelho do Mundo


Janela da Alma, Espelho do Mundo

Marilena Chauí - Janela da Alma, Espelho do Mundo in NOVAES, Adauto (org) “O olhar” São Paulo: Cia das Letras, 1998

Visão [32]

Existe uma crença ancestral de que a visão depende de nós, muito mais do que dependeria das coisas. Exemplo disso é que fechamos os olhos quando não queremos que determinada coisa exista (como um acidente, ou uma traição). Taí o ditado “O que os olhos não vêem o coração não sente”

Ilusão [32]

A ilusão carrega a esperança de uma visão verdadeira que corrigiria a ilusória, pois temos consciência da ilusão e da decepção

Alucinação [32]

A alucinação nos mostra que o mundo real está longe, e está sendo barrado pelos nossos próprios fantasmas e fantasias. Mas pode ser refeito se recobrarmos a razão.

Cremos nas palavras [32]

“Falamos porque cremos nas palavras e nelas cremos porque cremos em nossos olhos: cremos que as coisas e os outros existem porque os vemos e que os vemos porque existem”

Olhar o invisível [32]

Nós dizemos: “Não olhe para trás”, ou “olhe para o futuro”, como se pudéssemos, de fato, olhar o invisível.

Atenção às palavras [32]

Pouca atenção se dá às palavras usadas no dia-a-dia. Como “veja o que diz”, e, por vezes, quando queremos falar algo dizemos: “olhe aqui”

Olhar [33]

O olhar é fonte de alienação, é fonte de análise no olho-no-olho, é sentir o mundo. Nós cremos que a visão se faz em nós pelo que está fora e, ao mesmo tempo, se faz de nós para o que está fora. O olhar é “sair de si e trazer o mundo para dentro de si”. O termo “janela da alma” tem a idéia que o olhar coloca nosso interior para o mundo exterior.

Olho [33]

O olho tem uma grande representatividade. Como o olho gordo, Édipo cegando a si próprio, a medusa, a quem não se podia olhar.

Audição [37]

Dos cinco sentidos, somente a audição (referida à linguagem) rivaliza com a visão do léxico do conhecimento. Os demais sentidos estão ausentes, ou trabalham como metáfora da visão. (algo como “beber uma idéia” ou “pegar o pensamento”)

Visão como instrumento de investigação [38]

A visão é o sentido mais apto para a investigação, e é por isso que é o sentido que mais prazer nos causa. Sentimos prazer emconhecer e estudar as coisas. É enxergando que percebemos o discernimento das coisas, e nos permite ver as diferenças. A visão também é o mais rápido dos sentidos, projetando imagens no subconsciente que ficarão na memória para um fácil e rápido entendimento, com a maior fidelidade.

Visão filosófica [40]

A filosofia indica que ou a visão depende das coisas (que são causas ativas do ver), ou depende dos nossos olhos (que fazem as coisas serem vistas)

Olhar como cânone das percepções [40]

Um dos prováveis motivos pelos quais a visão usurpa os demais sentidos em relação à percepção, pode ser sentido na idéia de Merleau-Ponty, que afirmava que “ver é ter à distância”. O olhar pode apalpar as coisas, pousa sobre elas e entra nelas, porém não se apropria. O olhar “resume” e ultrapassa os demais sentidos quando pode chegar ao objeto e voltar, sem alterações materiais.

Medicina antiga [41]

Na madicina antiga, dizia-se “pensar é o passeio da alma” e essa aptidão ou impulso para sair de si denota um elo entre o olhar e o pensar. No renascimento, tinha-se os olhos como o “mais espiritual dos sentidos”

Olhos [42]

Os olhos estão no limite entre a materialidade e a espiritualidade. Para os neoplatonicos, a “vista é o mais espiritual de todos os sentidos (…) capta as coisas longínquas com extraordinárias rapidez e por isso as coisas apreendidas por ela são convocadas mais facilmente por nós e mais eficazmente retemos na alma”

Olhar e linguagem [45]

Não é apenas a cisnao entre o olhar e o mundo, e entre os olhos (do corpo) e os olhos (do espírito). A filosofia preparava também a cisão entre o olhar e a linguagem.

Visão como paradigma do pensar [45]

Quando do nascimento da linguagem do conhecimento intelectual, a visão serviu como paradigma para o pensar. Fazendo da própria visão um juízo que põe o visível e o evidente e que esclarece porque a filosofia sempre teve tanto interesse pela ilusão.

Experiências [45]

“Uma profunda mutação acontece quando possamos da experiência de ver - do olhar - à explicação racional dessa experiência - ao pensamento de ver - , quando passamos da percepção ao juízo.”

Expulsão da linguagem ou do olhar [46]

Na cisão entre olhar e linguagem, ocorrem rivalidades entre ambos os grupos a “ciência como linguagem bem feita” expulsam o olhar. Já Descartes (e com ele todos os modernos) expulsa a linguagem.

Ver e ouvir [47]

Ver lança-nos para fora. Ouvir, volta-nos para dentro. Segundo Platão, o verdadeiro motivo pelo qual temos visão e audição é estarmos destinados ao conhecimento.

Importância da visão [47]

Graças à visão, concebemos o tempo, já que podemos ver dia e noite, meses e anos e, com essa distinção, a vista ajudou-nos a conceber o número. Com o número, chegamos à filosofia

Desenvolvimento da inteligência [48]

O desenvolvimento da inteligência se faz pela memória e pela experiência. Ambas usam a palavra porque ela pode ser mantida e conservada. A visão é intransferível e efêmera. Mesmo assim, é a visão que é a privilegiada no momento do conhecimento.

Platão [49]

Platão separa corpo e alma, mas reafirma também e com maior intensidade a desconfiança com relação aos sentidos. Como os olhos vêem apenas simulacros, a verdadeira visão é aquela feita pelo intelecto

Reflexões [51]

“A reflexão do olhar é o espelho; a da alma, a natureza; e a natureza, as artes.” Essas reflexões são possíveis porque mundo, homem e arte são feitos da mesma coisa: os quatro elementos (terra, água, fogo e ar) e dos quatro humores (sangue, fleugma, bílis amarela e bílis negra). Segundo Leonardo DaVinci, A alma especula com os olhos.

Leonardo DaVinci [54]

Leonardo fala, no Tratado da Pintura, que a pintura é uma coisa mental, não uma coisa a ser apenas tratada pelos olhos.

Marilena Chauí - Janela da Alma, Espelho do Mundo in NOVAES, Adauto (org) “O olhar” São Paulo: Cia das Letras, 1998 - 3

Telescópio [55]

Os olhos atrapalham a visão. Eles nos iludem, nis mentes e, depois da invenção do telescópio têm-se uma nova visão. O telescópio (objeto tecnológico) é a razão corrigindo o olhar, ensinando a ver, deixando claro que vários aspectos mundanos dificultam ao olho enxergar tudo o que há. O essencial do telescópio não é que aproxime ou aumente os objetos, e sim que transforme o próprio ato de ver. Depositando no aparelho o ato de conhecer.

Teoria das ilusões [56]

Os olhos, então, não vêem tudo. Na perspectiva realista os olhos não vêem a res extensa e, na idealista, imaginam que ela exista realmente. Uma das ilusões visuais que provocam o interesse de Berkeley é a percepção da distância. Ele afirma que a distância é um dado tátil, e não um dado visual. Já Descartes se interessa pela ilusão das cores. Segundo ele, as cores não estão nas coisas, e sim nos nossos olhos, que não enxergam a realidade e sim os resultados subjetivos de causalidade reais invisíveis

Percepção purificada [56]

A percepção é purificada ao extremo para dedicar-se às atividades intelectuais, e o olho passa a ser um operário do pensamento.

Sujeito do olhar [57]

Quem é o sujeito do olhar? Modernos e idealistas responderão ser o intelecto, que enxerga idéias, conceitos e essências, e os vê como universalidades existentes desde todo o sempre e em parte alguma do visível. O olho intelectual é o puro sujeitos da observação, espectador absoluto que supõe ou que, no idealismo, põe uam multiplicidade plana de universalidades e individualidades.

As coisas [58]

“As coisas são configurações abertas que se oferecem ao olhar por perfis e sob o modo do inacabamento, pois nunca nossos olhos verão de uma só vez todas as suas faces.”

Filosofia figurada da visão [59]

A “filosofia figurada da visão” impede que concebamos o olhar como operação intelectaul, colocando o mundo exterior como representação ou conceito. A visão de alguma coisa depende do julgamento de quem olha. Um quadro visto por um filósofo é diferente do visto pelo pintor que é diferente do visto pelo matemático.

Pensar e ver [60]

Ver não é pensar, e pensar não é ver, mas sem a visão não pensamos, e sem o pensamento não vemos.

Pintor [60]

A pintura eleva à última potência o delírio da visão. A pintura é a ruminação do olhar, é a capacidade do pintor de ver, rever, analisar e transmitir idéias com tintas.

retirado do site: http://www.rodrigoscama.com.br/janela-da-alma-espelho-do-mundo.html

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Não Deu Certo e Agora?

Reforma Ortografica - Recebido por email desconheço o autor

Nos nossos sete, oito e nove anos tínhamos que fazer aqueles malditos ditados que as professoras se orgulhavam de leccionar. A partir do terceiro erro de cada texto, tínhamos que corrigir 20 e 30 vezes cada erro e que aquecer as mãos para as dar à palmatória. E levávamos reguadas com erros destes: "ação", "ator", "fato" ("facto"), "tato" ("tacto"), "fatura", " reação", etc, etc...

Mas, afinal de onde vem a origem da nossa Língua? Do Latim!! E desta, derivam muitas outras línguas da Europa. Até no Inglês, a maior parte das palavras derivam do latim.

Então, vejam alguns exemplos:

Em Latim

Em Francês

Em Espanhol

Em Inglês

Até em Alemão, reparem:

Velho Português (o que desleixámos)

O novo Português (o importado do Brasil)

Actor

Acteur

Actor

Actor

Akteur

Actor

Ator

Factor

Facteur

Factor

Factor

Faktor

Factor

bFator

Tact

Tacto

Tact

Takt

Tacto

Tato

Reactor

Réacteur

Reactor

Reactor

Reaktor

Reactor

Reator

Sector

Secteur

Sector

Sector

Sektor

Sector

Setor

Protector

Protecteur

Protector

Protector

Protektor

Protector

Protetor

Selection

Seléction

Seleccion

Selection

Selecção

Seleção

Exacte

Exacta

Exact

Exacto

Exato

Except

Excepto

Exceto

Baptismus

Baptême

Baptism

Baptismo

Batismo

Exception

Excepción

Exception

Excepção

Exceção

Optimum

Óptimo

Ótimo

Conclusão: na maior parte dos casos, as consoantes mudas das palavras destas línguas europeias mantiveram-se tal como se escrevia originalmente.

Mais um crime na Cultura Portuguesa e, desta vez, provocada pelos nossos intelectuais da Lingua de Camões.



Natal todo dia- Roupa nova - Edição Lorena Lisboa

Sonho Impossivel

É Urgente Reeducar